domingo, 17 de julho de 2011

OBSTIPAÇÃO INTESTINAL - DR FERNANDO HOISEL

OBSTIPAÇÃO INTESTINAL


TEXTO DO MÉDICO CLÍNICO DR FERNANDO HOISEL

PROFESSOR E CRIADOR DO CURSO CLÍNICA NATURAL PARA MÉDICOS E NUTRICIONISTAS

Quando estava começando minhas atividades profissionais de médico clínico, há cerca de 30 anos atrás, fui chamado por uma família na cidade do interior onde trabalhava, para fazer uma consulta médica domiciliar com Dona Maria, uma senhora com 60 e poucos anos de idade que, embora tentasse demonstrar uma atitude simpática apresentava um forte sentimento de angústia pelo que vinha sofrendo.
uando cheguei à residência, encontrei D. Maria na cadeira de rodas que já vinha usando há quase um ano. Durante a consulta ela relatou que tudo começara com uma perda progressiva de sensibilidade na região da cintura em direção às pernas, chegando em alguns meses à total impossibilidade de caminhar ou mesmo de movimentar as pernas; e que estava tomando uma boa quantidade de medicamentos químicos. Contou que durante aquele período tinha peregrinado pelos consultórios de médicos clínicos e neurologistas sem encontrar nenhuma melhora para a enfermidade que lhe causava tanto sofrimento.
“Porém”, disse D. Maria, “no momento eu estou um pouco mais tranqüila porque, depois de ter consultado uma importante autoridade médica na Capital, finalmente sei qual é o diagnóstico desta terrível moléstia que eu tenho. Ainda assim estou lhe procurando porque infelizmente o médico especialista manteve quase todos os medicamentos que já venho tomando há cerca de um ano sem obter resultados”. Disse-me então o nome da enfermidade que, por ser bastante rara, obrigou-me a ir buscar nos livros mais informações sobre a mesma.
Dentre as muitas perguntas que lhe fiz durante o exame, indaguei sobre o seu movimento intestinal, isto é, sobre o número de evacuações diárias. Ela então, mostrando-se surpresa com a pergunta e ao mesmo tempo sendo enfática em sua resposta disse: “Doutor este é um sério problema que vem me acompanhando durante boa parte da minha vida. Tenho uma prisão de ventre crônica que algumas vezes me faz passar até 30 dias sem conseguir evacuar. Às vezes minhas fezes ficam empedradas, sendo necessário ser internada em um hospital para a extração das pedras”. Então lhe perguntei se durante aquela sua doença incapacitante, os médicos com quem esteve haviam questionado sobre esta dificuldade. Ela, mais uma vez mostrando surpresa, respondeu: “Não, doutor! Eles bateram martelinhos em todo meu corpo, mas em nenhum momento mostraram interesse neste particular”.
A partir daquela consulta, a orientação terapêutica foi prescrita no sentido da normalização das suas funções orgânicas, promovendo mudanças de hábitos de vida, principalmente dos hábitos alimentares, visando a regularização dos seus movimentos intestinais diários. Na proporção em que os movimentos ou eliminações intestinais de D. Maria foram se normalizando, a sensibilidade do corpo foi retornando gradativamente e com menos de trinta dias ela voltou a caminhar, desaparecendo assim aquela “terrível” e rara enfermidade.
Desde então a minha orientação terapêutica continua sendo a de buscar uma normalidade funcional orgânica para todas as pessoas que me procuram, independentemente do diagnóstico clínico da doença.
Ao longo da história da humanidade, a sabedoria médica evoluiu vinculando a saúde do corpo humano a um estado de equilíbrio orgânico, levando em conta todos os fatores que contribuem para esta harmonia e, ao mesmo tempo, buscando todos os elementos necessários para produzir e manter o organismo saudável, o que inclui hábitos corretos de higiene, uma dieta alimentar adequada e uma atitude mental positiva.
Até o final do século XVIII, os seres humanos somente precisavam ficar atentos aos ataques naturais vindos do meio exterior: de plantas e frutas tóxicas, animais venenosos, parasitos e microorganismos.
A partir do século XIX, no início da era industrial, houve uma importante multiplicação de agentes químicos sintéticos no meio ambiente, aumentando muito o ataque de corpos estranhos ao organismo humano
que perturbam o seu equilíbrio biológico. Hoje, são muitas as formas de contaminação dos alimentos que consumimos, da água que bebemos e do ar que respiramos, sejam na forma de aditivos alimentares, agrotóxicos ou mesmo medicamentos sintéticos que levam a uma sobrecarga os nossos sistemas de eliminação ou desintoxicação e a um conseqüente enfraquecimento do nosso sistema de defesa. Esta sobrecarga tóxica tem alcançado tal magnitude, sobretudo nos centros urbanos, tendo como conseqüência o aumento progressivo de enfermidades, em especial de algumas das chamadas “doenças da civilização”. Entre elas estão, por exemplo, as doenças degenerativas, como os mais de 800 tipos de câncer da atualidade, as assustadoras doenças neurológicas como o mal de Alzheimer, a esclerose múltipla, a esclerose lateral amiotrófica, a doença de Parkinson e, principalmente, as graves afecções do aparelho reprodutor humano, que estão pondo em risco o futuro da humanidade.
Paralelamente à intoxicação do meio ambiente, o refinamento industrial dos alimentos, que visa exclusivamente ganhos econômicos em detrimento da saúde do homem, vem causando a desvitalização de alimentos tradicionalmente utilizados pelos seres humanos durante toda a história da humanidade. A farinha de trigo, o açúcar e o sal refinados, também chamados de “os três assassinos brancos”, são hoje os principais responsáveis por outro conjunto de “doenças da civilização” como as fatais ou incapacitantes doenças cardiovasculares, o infarto do miocárdio ou ataque cardíaco e o acidente vascular cerebral ou derrame, além das recentes, crescentes e incontroláveis epidemias de diabetes e obesidade que afligem o mundo ocidental. Diante da sua atitude inconseqüente, o ser humano aparece, através de seus atos, como causador e principal vítima desta preocupante realidade.
O atual modelo médico oficial, criado a partir de interesses financeiros do influente complexo médico-farmacêutico, controlado por poderosas companhias multinacionais, é baseado em tratamentos sintomáticos, sujeitos a lesivos efeitos colaterais e desagradáveis reações adversas que, ao custo da cronificação de doenças, proporcionam incalculáveis ganhos financeiros para aquelas empresas, em detrimento da saúde real do ser humano. Não que seja ruim combater um sintoma, mas o que é péssimo, é pensar que suprimir o sintoma é extinguir a enfermidade. A doença está sendo literalmente comercializada e isto está moldando um quadro crítico no qual quanto mais doenças melhor. O reconhecido sucesso do modelo médico oficial no manejo das emergências médicas, salvando inúmeras vidas, vem acompanhado de lastimável fracasso na prevenção e tratamento das enfermidades crônicas, que enchem hospitais e consultórios médicos. Estamos aceitando com muita naturalidade os altos níveis de doenças crônicas da atualidade, apesar das importantes evidências que muitas delas podem e devem ser prevenidas através de mudanças no estilo de vida, como a correção de desequilíbrios alimentares.

A função primordial da Medicina, dos profissionais da área da saúde e sobretudo dos médicos no século XXI, deve ser desvendar e instruir sobre as leis naturais do universo que asseguram ao ser humano uma mente sã e um corpo saudável; aprender e ensinar formas de fortalecer as defesas do organismo, visando cultivar ou restabelecer a integridade e equilíbrio orgânico. Todos aqueles que escolheram cuidar ou mesmo tratar de outras pessoas precisam buscar descobrir a verdadeira fonte de saúde do corpo e da mente, e desenvolver formas de tratamento que aumentem a resistência interna às enfermidades, prevenindo doenças e conservando a tão almejada saúde. Está ao alcance de cada ser humano, a capacidade de estimular a atividade e a eficiência das células de defesa do nosso fascinante sistema imunológico – o mais criativo e o mais extraordinário conjunto terapêutico que existe –, removendo os obstáculos que possam dificultar a ação de mecanismos inatos de cura que trazem a normalização das funções orgânicas, não se limitando simplesmente a eliminar os diversos sinais e sintomas das enfermidades. A palavra “doutor” vem do verbo latino “docere” que significa ensinar, educar. Ensinar os indivíduos a melhor maneira de viver de forma equilibrada para não cair enfermo.
Neste novo século, o dever dos profissionais conscientes da área da saúde, sobretudo os médicos, deve ser o de instruir corretamente a todos os indivíduos sobre a constante responsabilidade de cada um de cuidar da própria saúde, priorizando deste modo uma legítima prevenção das diversas enfermidades. A enfermidade ou desequilíbrio orgânico não surge simplesmente por acaso, nem é apenas um conjunto de
sinais e sintomas. É, antes de tudo, uma conseqüência natural de inadequados hábitos de vida, muitas vezes há mais de uma geração. A saúde real ou equilíbrio orgânico com certeza não virá de terceiros, sejam medicamentos, hospitais ou mesmo médicos, mas antes de tudo do esforço pessoal de cada indivíduo para aprender a cuidar de si próprio e dos seus descendentes.

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